terça-feira, 15 de novembro de 2011

A Filha do Procurador


Estava em um bar... em uma cidade tomada pelo crime... vestindo um sobretudo marrom, com meu chapéu em cima do balcão ao lado de um copo de whysk barato, olhando fixamente para um retrato que segurava com as duas mão, preso em pensamentos, me perguntando quem poderia ter assassinado uma garota tão jovem.

Em uma mesa no canto, quatro rapazes que estavam jogando poker começam a brigar, um dizendo que o outro estava roubando e o outro negando, estavam obviamente bêbados, e logo começaram a brigar. Socos, ponta-pés, garrafas quebradas e aquele liquido precioso derramando pela borda da mesa. Não demorou muito para o proprietário do bar tomar as devidas providências e expulsar aqueles arruaceiros, que continuaram a brigar no beco atrás do bar. Mas isso não alterava em nada a minha vida, o que havia me levado até ali era algo bem diferente. Um assassinato, filha do procurador geral de Nova Orleans, ela havia sumido há pouco mais de dez dias, e seu corpo tinha sido encontrado por cães da policia em um beco perto no Garden District.

Mas até que toda aquela briga havia servido para alguma coisa. Porque alguém iria assassinar a filha do procurador? Tinha algo naquela história que não fazia sentido, tinha algo muito errado. Seguindo a luz que os arruaceiros ascenderam em minha mente, resolvi ir procurar algum envolvimento de Louis Armstrong, pai da vitima, com a jogatina, comum nessa cidade.

Vou por alguns dos cassinos e casas de shows da cidade em busca de alguma pista, sem sucesso, eu já estava pensando que não haveria nenhuma indicação de que o promotor freqüentasse esses lugares, por conta de seu cargo público. Mas quando eu estava me retirando do Harrah’s Casino, ouço uma das garçonetes dizendo que o Procurador Armostrong havia solicitado uma mesa para aquela noite, bem em frente ao palco.

Eu não poderia ter esperado uma melhor notícia para aquela noite. Me dirigi para o bar para ver se eu conseguia tirar alguma informação de algum bêbado. Ainda estava cedo, portanto tinham poucas pessoas no cassino. Retirei meu chapéu e coloquei em cima do balcão e pedi uma dose do whysk mais barato que tinha no lugar, fiquei bebericando calmamente, e avistei minha vitima, tinha um homem sentado na ponta do bar, todos que passavam por ele o cumprimentavam, o que indicava que ele era conhecido naquele ambiente. Fiz algumas perguntas sobre o procurador, como se ele costumava ir para o cassino, se ele sabia alguma coisa, o homem, inocentemente me falou o que sabia, o procurador tinha algumas dividas, portanto nunca mais havia aparecido no cassino, perguntei a quem o procurador devia dinheiro, no qual o homem respondeu que a Jonh Coltrane. Aquilo me pegou de surpresa, era o mafioso mais perigoso de toda Nova Orleans. O garçom ouviu e não gostou nada daquilo e mandou o homem calar a “porra da boca” e disse-me que eles não gostavam de ninguém curioso, pouco antes de “gentilmente me convidar para sair”.

Não importava, eu já tinha a informação que eu queria. Existia de fato uma divida, uma ligação com a máfia, uma morte como forma de aviso era bem comum, ainda mais um seqüestro da filha de alguém importante como o procurador, um incentivo à quitação da divida. Mas porque matar a menina? E porque mesmo assim o procurador ia voltar naquela noite? Eram perguntas que necessitavam de respostas, e eu fiz o favor de fazer com que eu não tivesse acesso à informação.

Eu que não iria perder a noite, resolvi ficar de olho e observar o que acontecia. Por volta da meia noite o procurador chega, com sua comitiva pessoal, vários homens trajados de negro, todos entram no Harrah’s. Pouco depois outro carro chega, e quem desce é John Coltrane. Meu sangue gelou em um instante, volto a olhar para a fotografia e me pergunto o que estava acontecendo. Será que o Promotor Armstrong iria quitar a divida com John? Mas como ficaria a morte de sua filha? Coltrane e sua comitiva adentram o cassino.

Eis que surge mais uma peça nesse quebra cabeças, homens de George Coleman aparecem também. Coleman é líder de outra diretriz da máfia da cidade, de temperamento explosivo, e com uma rivalidade com Coltrane publicamente conhecida. O que os homens dele estavam fazendo ali? Será que tinham algo haver com a história toda? Ou Será que foram para lá por acaso? Todos entraram, menos dois. Um deles ficou na porta e o outro se dirigiu para o beco atrás do cassino. Algo estava acontecendo, eu tinha certeza.

Dou a volta no quarteirão, e entro no beco, o capanga, que estava fumando me avista e pergunta o que eu estava fazendo ali e logo coloca a mão no coldre do revolver. Eu levanto os braços e digo que estou ali apenas para conversar, no qual ele diz que não tem nada para falar comigo e que se eu der mais um passo ele vai me matar. Eu digo que sei tudo, e que se eu não voltar alguém vai dizer a policia tudo o que aconteceu, usei um blefe, mas felizmente funcionou. Ele ficou nervoso e abaixou as mãos, disse que não sabia que as coisas iriam terminar daquele modo. Essa hesitação foi tudo o que precisei, me atirei sobre ele, segurando os seus braços para que ele não pudesse pegar a arma. Ambos caímos no chão, e trocamos socos e chutes, até que ele me empurrou para perto do lixo, onde encontrei uma garrafa quebrada, segurei-a e me atirei sobre ele. O infeliz ainda teve tempo de pegar um canivete, mas felizmente me acertou levemente no ombro, enquanto a garrafa que eu segurava rasgou seus estômago.

Ele estava em estado de choque, dizendo que não queria ter feito aquilo, que tinha entrado naquela vida para conseguir dinheiro para o tratamento de sua mãe, que estava sofrendo de uma doença grave no hospital. Ficou repetindo essas palavras, de forma pausada, cuspindo sangue, tremendo. Havia entrado em estado de choque. Era visivelmente novo na máfia, talvez por isso tivesse sido escolhido para ficar de vigia, talvez não confiassem nele para participar dos negócios.

Ofereço socorro a ele em troca de tudo o que ele sabia sobre o procurador Armstrong, ele me conta tudo, e pede que eu o ajude, que eu havia prometido ajudar ele, mas não havia mais nada que eu pudesse fazer pelo pobre coitado, o ferimento tinha sido grave demais. “É isso que se ganha ao entrar nessa vida!” deixo-o agonizar no beco após dizer essas palavras, e sigo andando, olhando para a foto da jovem, agora compreendendo o que havia acontecido. Tudo agora fazia ideia, não tinha como eu ter imaginado as coisas dessa maneira sem as informações necessárias.

Mais tarde na mesma noite, o procurador volta para sua casa, uma mansão enorme, vai em direção ao seu escritório, iluminado por a luz da lua que entra pela janela, ele coloca um disco de Jazz para tocar e prepara um drinque, ao ascender a luz se depara comigo ao lado da porta. Ele me olha assustado e pergunta o que quero.

“Sei o que você fez. Sei de suas dividas com John Coltrane e como você se juntou com Geoger Coleman para fazer essa divida sumir. Sei do preço que você pagou sem misericórdia!”. Nesse ponto, Armstrong não mostra nenhuma surpresa, e muito menos arrependimento, apenas caminha em direção a sua mesa com a dose de whysk na mão, em um movimento rápido abre a gaveta e pega sua arma, mas tarde demais, um alto estouro preenche a sala e ele caí para trás com um buraco de bala no peito, com uma expressão atormentada no rosto, vou conferir se ele está mesmo morto, e ao ter certeza, digo baixo em seu ouvido: “Menos um demônio na sociedade”.

Deixo a arma que peguei com o capanga de Coleman, em cima de sua mesa, ainda saindo um pouco de fumaça do seu cano, ao som de trompete e piano, retiro minhas luvas brancas, acendo um cigarro e me retiro calmamente daquela residência.

No outro dias os jornais estavam cheios: Coltrane morre em embate com gangue de Coleman no Harrah’s Casino, Procurador Armstrong é encontrado morto em seu escritório, Policia diz que Armstrong foi visto com Coltrane e que mantinha relação com Coleman e que sua morte era questão de dinheiro. Filha do procurador foi morta como pagamento de dividas.

Me encontro com Joe Oliver, jovem rapaz que me contratou para descobrir quem havia matado Carolynne Armstrong, garota pela qual era apaixonado. Era um rapaz de alto nascimento, sua família era dona de alguns bancos na cidade.

Conto para Joe que Carolynne foi usada como peça de negócios, que o procurador Armstrong tinha uma divida enorme com John Coltrane e que não teria como pagar, e para acabar com a divida fechou parceria com Coleman para incriminar Coltrane com a morte e seqüestro de sua filha, e possibilitando um encontro entre os mafiosos, fazendo Coltrane levar a morte de Carolynne nos ombros para o tumulo. Conto como eu havia descoberto e me livrado do procurador. Joe recebeu as notícias melhor do que eu imaginava, de forma fria, me agradeceu, e me entregou meus honorários, disse: “Obrigado Miles Davis” e partiu. Mal sabia eu que Joe ainda tinha um grande papel a desempenhar em Nova Orleans.

Acendo mais um cigarro, e contemplo mais uma vez a foto de Carolynne Armstrong... Tão jovem e linda... com um futuro promissor.. havia mudado o rumo de tantas vidas.

sábado, 10 de setembro de 2011

D'uma Festa

Lá estava ela, no meio do salão, dentre tantos outros fantasiados meus olhos só lhe davam atenção. Sozinha, se entregando a seus instintos enquanto dançava, sem ligar para quem quer que estivesse por perto, o momento era só dela. Vestindo um vestido de seda vermelho, uma diadema de chifrinhos, uma sandália também vermelha.

Aparentemente ela gostava de brincar com o nosso lado lúdico, porque se um demônio fosse como aquele, tenho certeza que a demanda seria bem maior para o inferno, eu preferiria muito mais ir para o inferno com ela do que ir para o céu só.

Sua pele clara, seus cabelos louros e suas vestes vermelhas me hipnotizavam. Eu não conseguia tirar os meus olhos dela, nem por um minuto. Era incrível como o tempo podia passar e eu conseguia me apaixonar sempre pela mesma mulher. Sinto que minha vida era dotada de grande sorte por ter ela ao meu lado.

Após algumas músicas ela volta para onde eu estava, no bar, e ficamos conversando, tudo a tempo de eu lhe confessar mais uma vez o que eu sentia por ela. Foi o suficiente para despertar nela aquele olhar. Este olhar nunca me deixaria ir embora, tão sexy, tão perfeito, junto com seu sorriso, tudo me impulsionava para uma coisa, e encorajado pela bebida, me atirei sobre seus lábios.

Não ficamos muito mais ali, logo saímos, fomos procurar um lugar onde fossemos livres, onde eu pudesse lhe dar tudo aquilo que ela queria, tudo aquilo que eu queria. Achamos um galpão, não havia ninguém por lá.

Seus toques cada vez ficavam mais eletricos, mais fortes, intensos. Meus beijos caminhavam por todo o seu corpo, meus toques, nossas vidas. Tudo transcendia até o paraíso, não havia mais demonios ou anjos, ou o que quer que fosse, apenas duas pessoas tentando ser uma, tentando alcançar a felicidade sem se preocupar com questões terrenas, duas almas se integrando em uma.

Respiração ofegante ao meu ouvido, sua sobrancelha arqueada, seu sorriso, um contexto mágico, um momento único no mundo, uma voz latente em momentos necessários, eu sabia que ela era uma mulher que valia a pena lutar e fazer de tudo para ter o prazer de ver seu rosto toda manhã!

domingo, 28 de agosto de 2011

Apenas Um Sonho...

Acordei de sobressalto, ainda era alta a madrugada, estava suado, acabara de ter um pesadelo. Olhei para o lado, e fiquei vendo ela dormir, por muito tempo,vendo tudo aquilo que me deixara atraído por ela. Não era só beleza, se ela não fosse que era por dentro certamente eu não estaria com ela, mas felizmente sua beleza me cativava, e me acalmava.

Comecei a alisar seus cabelos, levemente, e olhando ela em seu sono tranqüilo, até que vagarosamente ela foi acordando, olhou para mim e percebeu que algo tinha acontecido, e me perguntou porque eu estava acordado àquela hora.

Contei-lhe então o sonho que tive. No sonho eu estava sozinho, ela havia morrido, me deixado para trás, era angustiante, só de lembrar lagrimas me vieram aos olhos, tudo tinha acontecido em nosso casamento, nenhuma pessoa deveria perder alguem tão importante em um dia tão especial. Ela me abraçou forte, e ficou colada ali comigo, falando coisas tranquilizadores em meus ouvidos, e me beijou quando eu disse que foi um alivio acordar e ver que ela estava ali, inteira, saudável e comigo. "Eu não poderia viver daquele modo, não sem você, não agora!".

Ela se trouxe algo para nos comermos, graças a deus era um domingo, então cancelamos todos os nossos planos e ficamos agarrados na cama, o dia todo, conversando, beijando, acariciando, o tempo todo, não fizemos mais nada no dia, dedicamos nosso tempo um para o outro ali, naquele lugar, mandando para longe toda ideia de eu existir em um mundo que ela não estivesse.

sábado, 27 de agosto de 2011

Hummm...

A fragrância de sua pele que me chegava junto com o frescor matutino do vento invernal, deixava-me nauseante de tanta serenidade que aquilo me passava. Ficar deitado de seu lado, levemente encostados um no outro, quietos, olhos cerrados aproveitando a calmaria que só podemos ter em uma manhã juntos.

Minha mão passeava por seu corpo, levemente, despertando pequenos choques ao tocar na pele, embaixo daquelas cobertas macias de seda, separados do mundo exterior, que não nos dizia respeito em horas como aquela.

Apenas ficar ali deitados, sentindo o outro, por horas a fio era mais do que necessário para nos sentirmos vivos, para que fossemos completos, mas a maior recompensa foi quando senti que ela havia se virado em minha direção, pude sentir a respiração calma dela a menos de um palmo de mim.

Então sua mão caminhou por meu corpo, passando pelo meu peito e foi subindo, tocando meu lábios, então senti uma vontade tremenda de abrir meus olhos, e ao fazê-lo, encontrei com seu olhar, e que olhar, em conjunto com aquela sua sobrancelha arqueada que me deixava sempre sem fôlego quando vinha acompanhada de seu sorriso. Fixo em seus olhos, fui me aproximando, chegando próximo, sentindo ela mais perto, até ter seus lábios a pouco mais de um centímetro, e então, um beijo. Suave como sua pele, singelo como seu olhar, quente como seu sorriso e perfeito como tudo que tenho com ela.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Em Um Lugar No Inverno Tudo Aquecia

O inverno tinha chegado de vez, e com ele veio aquele frio típico, para não bastar eu havia resolvido alugar um chalé numa cidade do interior do estado, onde havia um famoso festival músico-cultural, amado por muitos. Existiam uns dois ou três shows que eu gostaria de presenciar mas nada demais.

Até que era uma cidade bem bonita, bem organizada, flores coloridas enfeitavam a paisagem, turistas vindo de todos os lugares para prestigiar o festival, até que o fluxo de pessoas era bem grande na cidade. Eu estava passeando pelo centro, a procura de algum chocolate quente para esquentar, achei e junto com ele encontrei um amigo, que morava na cidade, ele perguntou onde eu iria ficar e eu disse que tinha alugado um pequeno chalé um pouco afastado da cidade, mais calmo, e conseqüentemente mais frio, mas era um bom local.

Fiquei conversando com ele alguns minutos e depois voltei para meu chalé, para me preparar para a primeira noite do festival. Estava só, mas com certeza encontraria vários conhecidos naquele lugar, por isso fui despreocupado, mas foi algo mais surpreendente do que eu poderia esperar, eu encontrara uma pessoa que eu não via a muito tempo, uma querida amiga de infância.

Foi uma surpresa maravilhosa, Sam estava linda, sua pele morena, bem em sintonia com o seu agasalho, ficamos conversando, sentamo-nos em um bar, um pouco mais afastado do palco principal, para podermos conversar tranquilamente, falamos do que tinha acontecido nos últimos tempos, colocando o papo em dia, lembrando de fatos de nossa infância, que hoje tínhamos vergonha, mas que era bom lembrar, aquele gosto nostálgico vinha-nos a mente.

Fomos juntos para um dos palcos, mas no caminho alguém esbarrou na gente e derramou bebida em Sam, manchou sua vestimenta, e como ela tinha ido apenas para ver os shows não tinha pra onde ir, não podia ir para a casa de uma das amigas dela porque ela provavelmente não encontraria ninguém em casa, deviam estar todos na festa. Levei-a então para o meu chalé alugado.

Lá, enquanto ela tirava a roupa molhada, eu estava na sala ascendendo a lareira, este fora um dos motivos principais de eu ter escolhido aquele chalé e não uma casa normal, pela janela ainda dava para escutar, ao longe, a movimentação nos palcos, mas era melhor ficar com a janela fechada para o calor não escapar.

Ela voltou vestindo uma blusinha branca, colada, e seu jeans, mas como o ambiente estava quente estava bem, ficamos ali conversando, até que eu lembrei de um vinho que eu tinha comprado pra esquentar, ficamos naquela sala aconchegante, começando a soltar pequenas indiretas e investidas singelas, e o clima foi esquentando, fomos chegando mais perto um do outro, começando um contato físico.

Interessante o que algumas taças de vinho e um desejo retraído podem causar na gente, pequenas descargas elétricas percorriam o local em que ela me tocava, enquanto eu mordiscava sua orelha, de leve e descendo para seu pescoço, os pelos de seu corpo arrepiaram com o roçar de minha barba, uma respiração ofegante de ambos preenchiam o ambiente.

Não importava mais o frio latente, estávamos quentes, o ar ao nosso redor era agitado, as gotículas que o ar quente formava nas janelas, embaçando-as era definitivamente surpreendente, nós dois ali, isolados do resto da cidade, em total sintonia com o mundo ao nosso redor, e até alem, de um modo sensacional, divino, era incrível como duas pessoas poderiam alcançar o sublime de forma tão natural, sem forçar, sem mentir, sendo honestos com seus sentimentos, desejos, e principalmente com seu parceiro, podia ser apenas um momento, mas naquele instante, onde nada mais importava, o mundo era belo.

Tudo foi mágico, nada duraria para sempre, nem sabia se a veria depois daquilo, então resolvi apreciar cada segundo ao seu lado, suando e falando suavemente em seu ouvido, conversando horas a fio embaixo das cobertas, colados um ao outro, falando sobre tudo, sem restrições nem barreiras, antigos amores, mas não tocamos em nenhum momento sobre nós como um “amor” isso não era importante, o momento sim, era perfeito.

O sol já ia nascendo, talvez não tão brilhante como tínhamos sido anteriormente, principalmente naquele em que tudo sumiu do mundo e dois corpos ascenderam ao infinito de constelações, caminhando ao lado de antigos heróis e deuses, para depois voltarmos para nossos corpos e descobrirmos como um abraço era perfeito.

Duas ou três garrafas de vinho haviam simplesmente esvaziado, e uns lanches que eu tinha espalhado em minhas malas tinham acabado, estava longe de ser uma refeição perfeita, mas era o que precisávamos naquele momento, e depois de tudo parecemos que precisávamos de tudo outra vez, mas Sam precisava voltar, tinha uma carona esperando, de lá ela iria para longe, outro estado, se encontrar com familiares, passar o fim das férias com um parente distante, poderia ser o nosso fim, mas não importava, foi um inicio, meio e fim, alucinantes, que valeram cada momento de meu ser.